Precisamos falar de Nneka Egbuna!

Descobrir Nneka Egbuna foi maravilhoso, sem dúvida alguma. Sabe aquela sensação de “Porque eu não descobri essa mulher antes?” pois é, e que mulher, mas não deixou de ser uma descoberta gostosa. Estou me deliciando até agora escutando Kangpe.

Chamada de “a nova Lauryn Hill” pelo “La Marseillaise”. A cantora é formada em antropologia, sua carreira musical surgiu só depois.Filha de pai nigeriano e mãe alemã, seu cabelo black power frisa sua cultura africana, na qual ela faz questão de se afirmar “mais africana que européia” e transporta isso muito bem pra sua música.

Suas músicas não são apenas sobre questões pessoais, engajada em falar sobre problemas sociais e políticos da África, principalmente sobre sua terra natal que é a Nigéria, uma das causas que Nneka mais discute em sua música é o conflito na região do Delta do Níger (local que sofre exploração abusiva de petróleo) – território que grupos guerrilheiros reivindicam a separação do resto do país, e diz: “O que acontece ao meu redor e as pessoas com as quais convivo são minha grande inspiração”

Seu som é uma mescla de Reggae, rap, jazz, funk, trip hop, soul e afrobeat que é um ritmo tipico da Nigéria, criado por Fela Kuti, uma de suas maiores influências, assim como Bob Marley, Erykah Badu e rappers como Mos Def, Lauryn hill e Talib Kweli.

“Fela Kuti é uma grande inspiração para todos os nigerianos. Ele e sua luta pela democracia e pela liberdade artística”, diz. “Fela é o rei do afrobeat; um dos pais da música africana. Ele era capaz de exprimir as vontades do povo.”

O disco “Victim of Truth”  é maravilhoso, e o álbum “No Longer at Ease”eu realmente fiquei encantada com a faixa “Come with me” e a ” My love, my love”sua voz é ótima e com muita personalidade, você vê até uma maturidade maior da cantora nesse segundo álbum e sem falar que o produtor da obra foi o francês Jean Lamoot.

Enfim, Nneka é uma sobreposição de coisas que à tornam tão especial, única e singular.

Fiquem com seu som:

 

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O Retrato Negro – Por Wendy Andrade

Antes de mais nada eu gostaria de falar o quão importante é falar sobre o Retrato Negro e ter participado dele, quando eu recebi proposta para o ensaio já me senti muito feliz por participar, não só por todos os negros incríveis ali representados, mas também por compreender o real significado do que aquela fotografia representaria pra mim e para o projeto.

O fotografo e criador Wendy Andrade, um jovem negro que estuda  na PUC do Rio de Janeiro, seu posicionamento como negro o fez questionar uma série de coisas em sua vida, em especial a falta de representatividade e por mais que tenha feito diversos trabalhos para marcas ele ainda não tinha encontrado sua causa.

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lzabella Suzart #23

E foi através desse conflituoso questionamento que em março desse ano surgiu o Retrato Negro, na ideia de imergir em sua cultura e enaltecer a figura negra, saindo totalmente de sua zona de conforto e círculo social, ele se propõe a fotografar um negro por dia, conhecendo pessoas diferentes, com histórias lindas e  mostrando a realidade da pessoa, a forma única como cada um compõe o seu projeto e o modo como ele respeitou isso tornou sua fotografia singular.

Foi assim que no dia 13 de maio, dia da abolição da escravatura ele começa o seu projeto que vai até o seu ano seguinte com o objetivo de entregar 366 fotografias devido aos ano bissexto. A data marcante trás a necessidade em bater na tecla sobre a  falácia de que os negros são livres.

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Naomi da Silva e Luan do Amaral #92

 

 

Wendy quer diminuir a imagem negativa que a palavra “negra” tem e através do seu trabalho mostrar: fotos belíssimas, com pessoas belíssimas e, dessa forma, seria gerada a ruptura com significado feio e ruim atrelado à palavra.  Assim nasceu o Retrato Negro, que em uma conversa mais a fundo releva a histórias de mulheres negras que foram preteridas desde sua infância, ou vitimas da imposição estética em cima de seus cabelos e traços, os preconceitos  e estereótipos que lhes foram atribuídos e a hipersexualização de seu corpo, marcas na qual muitas das vezes gera depressão na mulher negra. A visão dele sobre a mulher negra mudou, e me fez refletir ainda mais sobre a importância do projeto, o impacto que ele tem sobre a vida de todas essas mulheres incríveis e forte, nós precisamos emponderar enegrecer!

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Juliana Maia #87

 

Eu não sou mais o mesmo. De início, entendi esse projeto como fotografia, mas hoje, enxergo que a fotografia é apenas o ponto de partida; a ponta do iceberg é o que não se vê. Esse projeto não tem apenas o meu olhar, mas vários processos construídos em cima da minha verdade que acabam por interferir na minha entrega. Se não me conheço, não vou entender o que se passar à minha frente, de modo que só entendi o Retrato Negro quando senti o mundo na minha própria pele. 

No final de tudo, eu diria que ganhei uma amigo, um pouco irritante, mas com ideias incríveis e que torço bastante. Sua página no Facebook e espero que comartilhem o projeto para que ele cresca mais e mais!

 

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Arlindo do Carmo #67

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Josy Ramos #81

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41 – Dona Sara

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Elian Almeida #27

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Mariana Carvalho #86

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Gabrielly Nunes #83

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Gabriel Veríssimo #73